quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Conto agraciado no Prêmio de Literatura Unifor- edição de 2007

A crônica do abuso

Abud abriu os olhos. Havia um homem de costas para ele, sem nenhuma roupa, que exasperado, parecia falar ao telefone. Tentou sair de onde estava e percebeu que estava atado com correntes a um estrado de madeira. O corpo todo lhe doeu quando fez outro esforço. Aos poucos, sua visão foi se acostumando com o ambiente e descobriu, enfim, onde estava. Viu os cadeados que lhe prendiam às correntes e ao estrado. As travas de madeira que lhe tolhiam os movimentos das pernas. As presilhas de ferro nos dedos dos pés, como se fossem anéis parafusados na madeira, rasgando a carne. As algemas nos tornozelos que se fechavam a cada movimento. Moveu um pouco a cabeça para um lado e descobriu que também havia um colar de ferro que lhe apertava o pescoço por meio de um parafuso. Tentou falar, mas o colar de ferro lhe sufocou mais ainda. Os lábios estavam em carne viva. Sentiu sede e fome.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

João dos patos

O editor entrou afobado na redação e me chamou. Na sala já estava o Jacaré, velho repórter policial. Eu trabalhava com ele algumas vezes. O chefe, subindo as calças por cima do bucho enorme, foi curto e grosso:

- Tem um doido lá na feira dos Malandros que vende diplomas. Um tal de seu João dos Patos. Vão lá ver se encontram o sujeito. Dêem um jeito de gravar uma entrevista como ele. Mas tudo no maior sigilo. Parece que o cara é metido com gente barra pesada e vocês podem entrar num rabo de foguete. Vão lá e comprem um diploma dele. Taí cem contos pra despesa!

ATRAVÉS DA JANELA

​ Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa - quase cativ...