quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Todo castigo pra corno é pouco


Cornélio era desses homens pequenos, franzinos, tímidos, risinho fraco. Puxava uma perna, andava de cabeça baixa e pouco falava com os colegas de trabalho. Era de corar quando lhe contavam qualquer piada obscena. Muito competente e pontual no trabalho era por isso respeitado por todos na repartição pública. O típico cidadão comum daquela canção de Belchior.“Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua. Acordava sempre cedo, era um passarinho urbano. Era um homem de bons modos: Com licença; foi engano".

De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sair com os colegas para tomar uma cerveja depois do expediente, então, nem pensar!

Agora, o cabra era muito azarado. Eu digo azarado porque Cornélio teve a ousadia de se casar com uma belíssima mulher! Loura, olhos azuis e penetrantes, boca vermelha, carnuda, faces rosadas, sardenta, sorridente. Seios fartos e bunda torneada como numa escultura de porcelana, coxas grossas, pele dourada, perfumada. Um encanto de mulher. Uma manga-rosa!

“A manga rosa,
Peitos gostosos,
Rosados doces
Mama
Teu sumo escorre
da minha boca”.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dona Zefinha e o Cão



Zé de Zefinha era um cabra feio que só a peste! Era mais feio do que a palavra Teje Preso. O povo dizia que o cabra era tão feio, que quando nasceu, a parteira ia jogando o desgraçado no lixo. Preguiçoso feito o cão, passava o dia entre uma coisa e outra que a mãe mandava fazer e o fundo de uma rede na varanda do quintal, enfiando peido em cordão. Ele não trabalhava, não tinha amigos e de tão feio que era sequer tinha namorada. Pra dona Zefinha, a mãe dele, não. Ele era feio pros outros. Pra ela, podia até ser meio malamanhado, mas era bonito que só.

- Feio é a fome. – dizia ela.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O corrupto

Certo dia, recebi um telefonema de um vereador aqui de Fortaleza.

- Um vereador? Pensei – Vixe! – Fiquei imaginando se eu tinha feito alguma charge sobre a atuação pífia de algum vereador ou se tinha criticado a administração falida da prefeita de Fortaleza.

Nem uma coisa nem outra. Logo de cara, o sujeito, do outro lado da linha, começou logo a elogiar as charges, dizendo que eu era um gênio do traço, que já era meu fã desde os tempos em que eu publicava no Diário do Nordeste, que já acompanhava a evolução do meu trabalho agora na internet e que queria encomendar umas cartilhas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O gentileza




No início dos anos oitenta eu trabalhava em um antigo prédio comercial na Rua Guilherme Rocha, próximo a Praça do boticário Ferreira, bem no Centro de Fortaleza. 

Embora meu horário de entrada fosse às oito horas, eu chegava lá pontualmente às sete, pois assim dava tempo de tomar um café no Azteca, ponto de encontro obrigatório de jornalistas, publicitários, políticos e madrugadores daqueles tempos.

Na entrada do prédio, sentado junto ao batente, quase que invisível aos transeuntes, trabalhava um distinto senhor, já grisalho, sereno, em uma pequena banca de madeira. Ele vendia cigarros, isqueiros, caixa de fósforos, canetas, ficha de telefone público, guarda-chuvas, baterias para relógios, envelopes e uma variedade enorme de outras coisas.

O CANHÃO DO EMÍLIO SÁ CONTRA A JAGUNÇADA DO PADRE CÍCERO

Vendo passar o padre, com o pesado bordão com que costumava andar, seguido de um bando de fanáticos, disse: “Ali vai um missionário;...