sexta-feira, 27 de abril de 2012

Um homem que era o Diabo



Entre os anos de 1911 e 1915 viveu em Fortaleza um homem estranho, vindo, diziam, do Rio de Janeiro, do Piauí ou talvez de São Paulo. Ao certo não se sabia a sua procedência. As beatas juravam de mãos postas que aquela figura tinha com certeza, emergido dos quintos dos Infernos.

No livro “Fortaleza Descalça”, o poeta Otacílio de Azevedo assim o descreveu: “... era alto, macérrimo, perfil grego, sobrancelhas espessas e juntas, olhos fundos e profundos com olheiras cor de azinhavre. (...) Possuía uma particularidade interessante: tinha seis dedos em cada mão, o que lhe aumentava o misterioso aspecto e talvez justificasse o seu comportamento esdrúxulo. (...) Um sentimento de repulsa dele me afastava e me fazia temê-lo, como se ele fosse um monstro daquelas antigas histórias de Trancoso”.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Voulez-vous coucher avec moi"?


A cidade de Fortaleza, entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, foi amplamente influenciada pelas ideias de modernidade estética e comportamental, especialmente francesas, período que ficou conhecido como Fortaleza da Belle Époque.

Era a Fortaleza metida a besta. Segundo o blog Fortaleza Antiga, “...a cidade se encheu de sobrados, palacetes e mansões que ornamentaram o novo perfil urbano da cidade. A exemplo de outras cidades ditas civilizadas, Fortaleza tinha a “Cidade Luz” como referência de modernidade. Dessa forma, a capital do Ceará foi arrebatada por uma febre de afrancesamento. Ser moderno era acompanhar as modas vindas de Paris, usar expressões em francês e abrir lojas com nomes franceses. As instituições culturais propagaram-se com o Instituto do Ceará fundado em 1887, a Academia Cearense de Letras (ACL) em 1894, a Academia Francesa em 1873 e o Clube Literário em 1894; a Padaria Espiritual, com intensas atividades voltadas à renovação artística e literária, no período de 1892 a 1898”.

Foi então que, seguindo essa moda, começou a aparecer na cidade prostitutas afrancesadas vinda de Recife para “sentar praça” aqui para servir aos coroneis que esbanjavam dinheiro, enriquecidos com o próspero comércio do algodão.

O MILAGRE

Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo...