quarta-feira, 9 de maio de 2012

No dia em que o Bode Iôiô virou gente





Iôiô foi um bode mestiço com forte predominância da raça parda alpina que viveu na cidade de Fortaleza no início do século XX. Em 1915 um retirante da seca vendeu o dito cujo para José de Magalhães Porto, representante do industrial Delmiro Gouveia, correspondente no nordeste da empresa britânica Rossbach Brazil Company, localizada na Praia de Iracema. 

O bode perambulava, sem ser molestado pelos fiscais da prefeitura, pelas ruas centrais da cidade, na companhia de boêmios e escritores que frequentavam os bares e cafés ao redor da Praça do Ferreira, centro cultural da capital. Bebia cerveja e cachaça, fumava charuto e gostava de ouvir música e muitas vezes, acompanhava os seresteiros pelas madrugadas. O bicho parecia gente. Era sempre visto no meio das conversas dos boêmios, poetas e intelectuais. Esse nome Iôiô foi lhe dado por ele sempre percorrer o mesmo trajeto, entre a Praça do Ferreira e a Praia de Iracema, num vai-e-vem danado.

ATRAVÉS DA JANELA

​ Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa - quase cativ...