sexta-feira, 20 de julho de 2012

Coitada da Cumade Jaqueline



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Isso foi nos anos sessenta. Zé de Ciço, caba da peste do Cariri, era devoto do padim Ciço e já tinha batizado quase todos os meninos com o nome de Cícero, em homenagem ao santo do sertão. Era “Ciço” pra cá, “Cicim” pra lá que num acabava mais!

A mulher já barriguda de mais um “cumedozim de rapadura” chegou pra ele e perguntou, mode como quem num quer nada:

- Ô Zé, cumé mermo o nome qui tu qué dá pru nosso minino? Tu falô mas já misquici.

— Ôxente, Muié! Vai ser “Dion Quenedi”, aquele prisidente americano virado na gota! E tem mais: vamos dar ele de afilhado. O pade dixe que vai ser mêi dificil...o hôme lá é mêi ocupado.

- Vixe! Tu tem cada ideia! Êita!

Zé de Ciço pediu ajuda na prefeitura de Juazeiro e por sorte do destino, tinha um gringo visitando a cidade que achou a ideia interessante e de pronto enviaram uma carta para embaixada dos Estados Unidos em Brasília, endereçada ao próprio presidente John Kennedy.

Para a surpresa do padre e do prefeito, a própria embaixada respondeu a carta dizendo que o presidente John Kennedy ficava muito honrado com o convite. Só não podia comparecer ao batizado do afilhado.

Ora, isso era o de menos! já foi mais do que o suficiente pro Zé de Ciço se sentir íntimo do presidente, e a partir de então se tornou o cumpade do presidente dos Estados Unidos, conhecido em toda a região do Cariri.

Aí teve um dia que Zé de Ciço tava no roçado e ouviu no radinho de pilha a notícia da morte do presidente dos Estados Unidos John Kennedy. Foi um susto danado! O pobre homem correu pra casa arrasado, desconsolado, inconformado. A pobre da mulher sem entender o acontecido perguntou:

 Diabéisso, Zé! Foi mordido de cobra, foi?

— Ôxente! Muié! Agorinha aconteceu uma disgraça na nossa famía!

— Nossa Senhora das Dores! Que foi home de Deus? Diga logo, pela hóstia!

 Sabe o nosso cumpade? O padim do Quenedim? Pois foi muié! Parece que se abufelou com um caba lá nas terras dele!

 Mas ele tá bem? E qual foi a disgraça, home? Ôxente!

— Mataram o cumpade Dion, muié! Mataro ele de bala!

- Meu Deus do Céu! Como isso foi acontecê, Zé! Tadinha da cumade Jaqueline!

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