sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As histórias do João Cabôco

Cândido Portinari - Enterro na Rede

João Cabôco já morreu faz tempo. Era vaqueiro, cantador de viola e repentista. Vivia metido no meio do mato atrás dos garrotes que se perdiam. Nunca voltava de mãos vazias. Trazia o bicho amarrado, ora pelos chifres, ora pelo pescoço. Falava com satisfação:

- Êita, patrão! Eche deu trabaio, mas eu trouxe o bicho. Tava lá todo ingrenhado nos mato. Ôxente!


De noitinha, entre uma cantoria e outra, sentava no terreiro, cigarro de palha entre os dedos, a viola de lado e um bule de café nas trempes, fumegante, cheiroso. Gostava mesmo era de contar história de assombração pros meninos da fazenda. “Pru mode os minino se mijar na rede de noite”, se divertia ele. E o povo se reunia em torno dele. Vinha gente de tudo quanto era canto só pra ouvir as cantorias e as histórias. “O João Cabôco vai contar história hoje”! Alardeava o povo na feira. E era cada história! Sabe-se lá onde diabos ele aprendia. Tinha sempre uma história nova que ele garantia que era tudo verdade, que ele tinha ouvido alguém contar, no tempo quando trabalhava como caixeiro viajante, no meio do sertão.

O CANHÃO DO EMÍLIO SÁ CONTRA A JAGUNÇADA DO PADRE CÍCERO

Vendo passar o padre, com o pesado bordão com que costumava andar, seguido de um bando de fanáticos, disse: “Ali vai um missionário;...