sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

HISTÓRIAS DO SERTÃO - A mulher de branco e a botija encantada




- Lá pras bandas do açude tem visage! Ora se tem! Eu mermo já vi com eche zói que a terra há de cumê!

Era assim que o seu Alfredo começava a contar uma de suas histórias. Aí o povo se acomodava em riba das sacas de farinha pra ouvir relatos de aparições, almas penadas e botijas. Cabras como João Caboco, acostumado na lida com o gado, pegador de boi brabo, até onça já enfrentou, ficava assim com os olhos arregalados.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

HISTÓRIAS DO SERTÃO: O Cachorro da mulésta ou o Dia em que o Cão visitou o Catolé

Cidadezinha do interior é tudo parecida. Tem a Igreja Matriz, a pracinha, o prefeito, o padre, o delegado e o coronel. E Catolé não era diferente, não senhor! Mas tinha lá um coronel muito rico, dono de quase todas as terras da região, cabra metido a valente e impiedoso, dado a maltratar os bichos e os empregados que eram tratados como escravos. Era até mandante de pistoleiro. Gabava-se de já ter mandado muita gente pros quintos dos infernos.

E tudo o que acontece ou deixa de acontecer é sabido por todos, comentado nas bodegas, nos botequins, na feira, na barbearia, na missa e principalmente na farmácia, que é lugar onde se fala da vida alheia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dona Chiquinha da tapioca

Mulher com Cesto na Cabeça (Newton Rezende, 1959)



Óia a tapioca! Ô lapa de tapioca! É mais branquinha do que as fia do coroné!

Esse era o grito da dona Chiquinha da Tapioca, invariavelmente, sempre às cinco horas da manhã. Pouca gente lá no sertão do Quixadá ainda se lembra dela e de suas saborosas e cheirosas tapiocas de coco.

- É de hoje, dona Chiquinha? – perguntava um gaiato.

- Ôxente! Tu tá ficando doido? Onde já se viu tapioca de ontonte prestar pra alguma coisa? – exasperava-se – fiz agorinha lá em casa. Quem quer, quer. Quem num quer, tem quem quer! – saía faceira, trombuda, ofendida.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A Escalafobética história de Josefo e Josefa

Josefo era padre, já com mais de 30 anos de sacerdócio. Muito recatado e muito tímido, ainda corava quando lhe falavam de sexo ou das particularidades e intimidades de casais. Josefa era madre superiora, já com mais de 30 anos de vida reclusa. Também muito recatada e igualmente muito tímida, ainda corava quando lhe falavam de sexo ou das intimidades e particularidades de casais. Ambos ruborizavam tão demasiadamente que chegavam a sumir de não serem mais vistos, de tanto pudor.

Certa feita o Destino lhe pôs as garras fatídicas e as Moiras fizeram uso da Roda da Fortuna e lhes teceram seus desígnios quando, um dia, os colocou frente a frente, na ocasião em que o padre Josefo fora celebrar uma missa de ação de graças no convento onde a madre superiora Josefa era reclusa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Pau do véi


Na região dos Inhamuns, nos confins dos sertões do Ceará, existe uma pequena localidade chamada “Pau do Véi”. Perdida no meio da caatinga, na verdade não passa de um pequeno aglomerado de casinhas de taipa onde pequenos agricultores, castigados pela seca indomável, resistem, resistem, resistem. 

O nome “Pau do Véi” é antigo. Dos tempos já idos e esquecidos. Os moradores sequer sabem sua origem. Se perguntados ouve-se uns “sei lá”, “num sei não” e “diabo-é-que-sabe”! 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Brasil no tempo do Dom Bunda


A História Oficial não conta, mas há vários relatos verídicos e esdrúxulos sobre certas figuras brasileiras, tidas como homens íntegros, polidos e probos acima de qualquer suspeita. São comportamentos mesquinhos e dignos de reprovação de qualquer cidadão de bem.

Um desses Vultos da História do Brasil, Dom João VI, o pai de Dom Pedro I, chegou ao Brasil fugindo de forma covarde de Napoleão, abandonando seu povo em Portugal a Deus dará. Quando o monarca desembarcou no Rio de Janeiro vinha acompanhado de sua Corte que era constituída de toda sorte de burocratas, nobres, áulicos e puxa-sacos em geral. No meio desse povo existia uma categoria de funcionários à parte e pouco convencionais. Servidores dedicados que tinham função garantida junto à Corte, e até recebiam títulos de nobreza. Estes eram os responsáveis pelo bem-estar do Rei e de sua família.

Dom João VI tinha o costume de passear nos fins de tarde sempre acompanhado por uma legião de serviçais dedicados e prontos a realizar qualquer desejo do Rei. Conta-se que o Monarca era dado a comilanças e o tempero dos trópicos não lhe fazia bem, deixando-o sempre com frequentes caganeiras reais. Por esse motivo era comum em tais passeios, levar o penico real e uma armação composta de um tripé que servia de um vaso sanitário.

O MILAGRE

Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo...