sexta-feira, 31 de maio de 2013

A BOTIJA DA IMBURANA




Olhando pela janela dava pra ver o pé de Imburana, bonito, majestoso em plena seca, com seus galhos despidos de folhas, anunciando a temporada florida.

A imburana serve pra tudo: tomar banho com as cascas da imburana serve pra curar dor nas juntas e fraqueza das pernas. A casca também dá um xarope que é bom pra curar crupe, difruço, tosse de cachorro, cobreiro, impinge, pereba braba, empachamento, barriga farosa, dor no mucumbu e até vento caído.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

UM SONETO BEM BONITO



Dona Magide, filha de sírio-libanês, nascida na cidade de Itapiúna no sertão do Ceará, tem os olhos azuis como o azul de uma tarde de verão em Quixadá. Aquele mesmo azul de quando o céu, como num espelho, reflete nas águas do açude do Cedro.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

AS BORBOLETAS - para minha mãe


Dona Socorro todo dia cuidava do jardim. Até conversava com as flores, mudava os jarros, plantava mais uma roseira aqui, outra ali. Ralhava com as formigas. Tinha antúrios, estrelícias, girassóis, sorrisos-de-maria, boas-noites, muçambês, papoulas-dobradas, amarelas e vermelhas, jitiranas, rosas e rosas-meninas, enchendo os olhos de tantas flores e perfumes.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Histórias do Sertão – O Choro no Matadouro



O sertão é vasto. Perdido no meio dessa solitária vastidão, onde só se vê a caatinga, árvores secas, cipós e pedras, encontra-se o sertanejo, homem resignado com a dura sorte, rude e ao mesmo tempo sábio e paciente observador das coisas à sua volta.

O sol causticante projeta sombras enormes. O vento atiça a poeira no areal, rodopiando galhos e folhas secas, sulcando a terra, assoviando um trinado contínuo e fino, indo perder-se nas furnas das pedras do boqueirão. O mais impressionante é o azul do céu.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Histórias do sertão – O menino gazo




No sertão de antigamente não existia energia elétrica, não senhor. Quando anoitecia, acendiam-se lamparinas e lampiões de gás. E a noite era lá fora escura e estrelada, senão salpicada de vaga-lumes errantes. Ouvia-se o coaxar de sapos, grilos em canto uníssono e o farfalhar das folhas das carnaubeiras prateadas pela lua cheia.

ATRAVÉS DA JANELA

​ Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa - quase cativ...