quinta-feira, 16 de maio de 2013

AS BORBOLETAS - para minha mãe


Dona Socorro todo dia cuidava do jardim. Até conversava com as flores, mudava os jarros, plantava mais uma roseira aqui, outra ali. Ralhava com as formigas. Tinha antúrios, estrelícias, girassóis, sorrisos-de-maria, boas-noites, muçambês, papoulas-dobradas, amarelas e vermelhas, jitiranas, rosas e rosas-meninas, enchendo os olhos de tantas flores e perfumes.


Aí era uma festa para as borboletas. Vinham aos montes, flutuando, de flor em flor, de rosa em rosa. Dona Socorro sabia até mesmo o nome das borboletas: Essa toda amareladinha se chama Gema. Aquela preta e laranja é a Monarca, aquela ali, pequenininha, da cor de uma onça pintada, é a Maria-boba, que não tem nada de boba. Essa branquinha aqui é a Borboleta-da-couve (E punha o dedo na borboletinha ziguezagueando pra lá e pra cá, de flor em flor.) e olha ali a Castanha-vermelha, toda serelepe! Adora a flor do maracujá! Aquela grandona, preta e amarela, é a Caixão-de-defunto. Não sei por que esse nome tão feio. Tem também essa chamada de Pingos-de-prata, que eu acho que é a mais mansinha, pois vem pousar na nossa mão, quer ver? (E mostrava a borboletinha na mão, asinhas juntas, paradas, como que pra descansar). E dona Socorro passava assim as manhãs no jardim.

Dona Socorro nem sabia que era ela, a borboleta mais bonita.


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