sexta-feira, 28 de junho de 2013

AMANHÃ É SÁBADO

Um sábado antigo, uma rua antiga em Fortaleza

O sábado tem uma magia, um “não-sei-o-quê” de diferente e de especial. É como se a natureza conspirasse para o sábado. Acorda-se mais disposto do que nos outros dias, percebe-se mais o azul do céu, azul translúcido como um vitral de catedral, espelhado nas poças d’água, quando chove. Há mais canto de pássaros, bem-te-vis empoleirados no centenário pé de pitomba no quintal. Nas manhãs de sábado abrem-se as cortinas, clareia-se a casa toda, o corredor, o quintal. Ouve-se um silêncio tão profundo! O cheiro gostoso de café e pão com manteiga vem acordar-nos e uma sensação de contentamento estufa-se no peito, fazendo bater mais forte o coração, revitalizando uma promessa, uma esperança, um juramento. No jardim, rosas abrem-se às borboletas e abelhas e as formigas, incansáveis jardineiras, podam e fazem piqueniques. O perfume no ar fica mais intenso e a manhã nem bem começou.

Bem que Clarisse Lispector falou que o sábado é a rosa da semana e sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento.

Ah, tardes de sábado!

Notou como as sombras nas calçadas são maiores? Estendem-se enormes, alongando-se nas ruas, convidando-nos para sentar sob árvores generosas.

Nelson Rodrigues certa vez escreveu que o sábado é uma ilusão.

Amanhã, pois, é dia de ilusão.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A CAIXINHA MÁGICA DA VOVÓ



A vovó Rita Júlia tinha uma caixinha onde guardava de tudo. Se alguém precisasse de alguma coisa, qualquer coisa, a vovó ia ao quarto buscar sua caixinha, de onde tirava o que fosse preciso. A gente ficava curiando só pra ver o que tinha dentro da caixinha da vovó, mas ela fechava tão rápido que não dava pra ver nadinha de nada.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

AIDS - O CÃO FEROZ


Matthias Grünewald: A Tentação de Santo Antão, c. 1515 (detalhe)


Ao nascer, desde eras ancestrais, cada um de nós traz consigo dois cães interiores. Um é prudente e dócil e o outro é feroz e violento. Vez por outra é travada sangrenta luta corporal até a morte. O cão que vai vencer é aquele que for mais bem alimentado.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

DAMIANA E A MACUMBEIRA


Eita, que o povo do sertão é cheio de arrumação!

Eu vou contar então a história da Damiana, negra cheia de prosa, que morava na fazenda desde quando era menina pequena. Trabalhava na cozinha, comia de tudo e por isso era gorda como uma porca. Tinha vez que ela fazia um panelão de doce de goiaba e antes do doce esfriar ela já tava lá, raspando o tacho. Comida de panela mesmo, ela não gostava, não. Só gostava de bagulho. Comia o tempo todo. Bruaca, batata-doce, tapioca, rapadura, maria-maluca, alfenim, bolo de milho, pé-de-moleque, grude, cocada, não demorava muito na frente da Damiana.

O CANHÃO DO EMÍLIO SÁ CONTRA A JAGUNÇADA DO PADRE CÍCERO

Vendo passar o padre, com o pesado bordão com que costumava andar, seguido de um bando de fanáticos, disse: “Ali vai um missionário;...