sexta-feira, 26 de julho de 2013

HISTÓRIAS DO SERTÃO – A ASSOMBRAÇÃO DO AÇUDE




O açude é um mar de tão grande que é.
Nas profundezas das águas tem uma cidade antiga.
Histórias de amor e medo, profundos segredos.

O menino nasceu todo esbranquiçado, transparente, a pele branca, os olhos vermelhos que dava medo. Parecia até uma alma penada. Era por isso que desde menino não saía durante o dia. Escondia-se de todos. Andava escondido do sol. Só saía quando escurecia para pescar no açude. Ficava por lá até altas horas da noite. A mãe dele morria de preocupação com o menino. Voltava pra casa com o samburá cheio de peixes de todos os tipos.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O IDIOTA


Francisco de Goya, O Idiota

O idiota quando nasceu, já era um idiota. Nasceu de pais idiotas que consideraram que tinha sido uma idiotice terem se casado e ainda uma idiotice pior, quando ela engravidou. Quando ele nasceu, deram-lhe um nome idiota qualquer. Eles viram esse nome na televisão quando assistiam à programação idiotizante.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O DIA DA MORTE





Quando o médico entrou na sala, observou que o semblante dele era grave.

Ao ouvir o diagnóstico sentiu um soco no estômago. Quase desfalece ali mesmo. A vista ficou turva. O médico todo de branco, sentado do outro lado da mesa, deu-lhe a impressão de que era um espectro. A sala do doutor era fria, muito fria, repleta de diplomas e havia muitas fotos de congressos de medicina. Outras fotos mostravam o doutor sempre fazendo pose nos principais monumentos europeus, demonstrando que era financeiramente bem sucedido. Viu uma réplica da torre Eiffel em cima da mesa que lhe pareceu imensamente simplória.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A JANELA DA ALMA



Daqui da janela dá para ver a rua, a praça, a igreja, a chuva. Passam carros, pessoas, passam coisas. Passa um homem de bem vendendo pipoca. Passa devagar, sem pressa e senta no banco da praça. Pombos revoam em volta e ele reparte a pipoca com os pombos. O rosto dele é feito todo de sorrisos. Chegam crianças colorindo tudo à volta e os pombos saltam como crianças. Árvores balançam os braços, os galhos, as folhas abraçando o vento, desfolham. E a vida passa de manhã na praça.

ATRAVÉS DA JANELA

​ Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa - quase cativ...