sexta-feira, 19 de julho de 2013

O IDIOTA


Francisco de Goya, O Idiota

O idiota quando nasceu, já era um idiota. Nasceu de pais idiotas que consideraram que tinha sido uma idiotice terem se casado e ainda uma idiotice pior, quando ela engravidou. Quando ele nasceu, deram-lhe um nome idiota qualquer. Eles viram esse nome na televisão quando assistiam à programação idiotizante.


Cresceu num ambiente medíocre. Estudou em escolas idiotas onde se ensinavam idiotices centenárias. Acreditava em tudo simplesmente porque ouvira algum idiota dizer e porque todos falavam a respeito. Acreditava em tudo só porque estava escrito em seus livros religiosos. Aceitava tudo o que os seus professores e mestres idiotas diziam que era verdade. Acreditava nas tradições só porque eram passadas de geração em geração.

Foi aprovado com notas medíocres em um vestibular idiota. Formou-se em uma universidade que não era menos idiota do que tinha sido as escolas anteriores. Apesar de tudo, de uma vida medíocre e idiota, arranjou um emprego fixo em uma repartição pública e foi promovido a um cargo medíocre e passou anos e mais anos fazendo tarefas idiotas e medíocres.

Viveu a vida de forma medíocre como deveria de ser. Não teve emoções, nem conheceu nenhum mistério sagrado. Morreu de repente, quando escorregou numa casca de banana, sem mais nem menos. Ainda ouviu quando alguém falou que nunca tinha visto alguém morrer assim, de forma tão idiota.

O mundo nem se deu conta de sua existência, mas de uma forma ou de outra, foi feliz.

Que a terra lhe seja leve.

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