sexta-feira, 27 de setembro de 2013

HISTÓRIAS DO SERTÃO – A cruz na estrada



“Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão”.

(Castro Alves)



No sertão as estradas são solitárias e silenciosas. O silêncio da solidão é deslumbrante. Aqui e ali se vê uma árvore seca, uma casinha esquecida, um muro em ruínas, uma cancela. Tudo é mato nos dois lados da estrada. Quem passa sozinho se arrisca a ver coisas, ouvir vozes, sentir cheiros. Cheiro de cuscuz e café, fornada de tapioca, cheiro de bosta de vaca, cheiro de mato, cheiro de caju, cheiro de chuva, sem chover.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UM HOMEM DE SORTE




Conto-vos a história de Juvenal, um rapaz de uma mediocridade de tal porte, que vivia às tontas em busca da fortuna fácil, envolvido até a medula em jogos de azar, jogando, bebendo e principalmente fornicando em orgias infernais. Tais orgias à parte, nos jogos de azar, no entanto, esse Juvenal nunca ganhava nada, apesar de gastar o que podia e o que não podia em apostas e que, invariavelmente, perdia tudo. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

OS ENCANTOS DE DONA ORLANDA






Há males que vêm para o bem. Todos nós já ouvimos essa sentença ser dita desde tempos imemoriais. E há muita verdade nisto, com toda a certeza. Que o diga dona Orlanda, cujo marido fora morto por engano numa emboscada que não era para ele. No dia de seu assassínio, estava na companhia do verdadeiro homem que deveria receber a sentença de morte.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

HISTÓRIAS DO SERTÃO – O VELÓRIO


Dr. Cosme era um homem muito rico, dono de fazendas, criador de cavalo, inimigo dos pobres, humilhador dos negros, mandante de pistoleiro, dado a velhacadas de cigano e alquilador. Podia comprar tudo o que via, mas não pôde comprar a saúde. Era um homem doente, sempre à morte. Não havia dinheiro que chegasse à mão dele que não fosse para comprar remédio ou para pagar a um esculápio, que ele mandava buscar, a peso de ouro, na cidade grande. Até mesmo tinha mandado chamar nigromantes e hierofantes do estrangeiro. Mas qual o quê! Sem sucesso! A doença dele ocupava toda a cidade. O sofrer do infeliz era tão grande que tirava o sono dos bons.

Poema agraciado no XX Prêmio Ideal Clube de Literatura 2018

Ponte Metálica ou Ponte dos Ingleses na Praia de Iracema em Fortaleza. (Foto Newton Silva). PONTE DOS INGLESES  O ideograma do te...