sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O CHEFE - Ou o dia da grande cagada



Essa, verdadeiramente, é uma história real. Embora a princípio inverossímil, aconteceu na década de 70 em um órgão público, aqui em Fortaleza. Os mais velhos ainda se lembram do episódio que ficou conhecido como o dia da grande cagada.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O LUBISÔME



Eu nunca antes havia acreditado nessa história de lubisôme. Onde já se viu uma pessoa virar um bicho? Mas teve um dia que mudei minha opinião sobre esse assunto. E foi da maneira mais assustadora possível.

Eu costumava caçar no meio do mato só com a companhia do cachorro. Apenas o silêncio era cortado de vez em quando com chilros de pássaros: ora um bem-te-vi, ora um casaca-de-couro, ora a sombra preta de um anum, soltando seu piado agourento.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O CORNO QUE TROCOU A MULHER POR UM RÁDIO


Radio Semp Pt 76 (1940) - o par de chifre é acessório opcional


- Seu Joaquim, a tua muié ta te butando chifre! Te alui, fidumaégua!

- Conversa é essa, macho! A minha Dasdô é muié dereita, trabaiadora. Essa hora ela tá lá em casa fazendo tricô, tadinha.

- Tá fazendo tricô, mas é com os zóvos do teu vizinho, o Zégeraldo!

- Aí dento! O Zégeraldo é meu cumpade. Caba bom e é meu amigo de muito anos!

- Deixa de ser abestado e vai lá pegar os dois se abufelando! Corno féladaputa!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

FANTÁSTICAS HISTÓRIAS DE CHUVA

Enchente do Rio Acaraú (1924)


Quando ribombavam trovões e relâmpagos, rasgando o céu todo cacheado de nuvens roxas, preto-azuladas, cor de chumbo, como se fossem gigantescas montanhas no horizonte, o chão tremia balançando as paredes da casa velha e trepidavam as panelas na velha bateria de alumínio na cozinha.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

TRÊS POEMAS PARA MERCEDES


TELEFONE
Depois de falar, desligamos.
E nossa conexão era tal em certos dias, que intuitivamente,
Com muita certeza,
Levantávamos o telefone e,
Podíamos sentir nossos corações através do aparelho.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

TUDO DE NOVO OUTRA VEZ



Logo cedo pela manhã do dia primeiro de janeiro de 2014, saio para o trabalho, como de costume, da mesma maneira como já o fiz repetitivamente nos mais de trezentos dias de 2013. Durante o trajeto, vejo pessoas eufóricas, esperançosas, revigoradas, cujas bocas têm já o formato de felizanonovo, de tanto o repetirem, quase à exaustão. Vez em quando vem um, surgindo do nada, bate de leve no meu ombro e deseja mais uma vez um “feliz ano novo”. Já outros me atalham com os braços abertos, abraços apertados, com as bocas escancaradas, beijos exagerados na testa e afagos efusivos. Assusta-me aquilo. Vejo neles o semblante mudado, os olhos vívidos, marejados, vampirescos, fora das órbitas, como se fossem zumbis. Certamente, estão já contaminados com a histeria coletiva do novo ano.

ATRAVÉS DA JANELA

​ Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa - quase cativ...