terça-feira, 16 de junho de 2015

O bode Dezessete



O bode é um dos bichos mais parecidos com gente que dá até medo. Certa vez meu avô Alfredo me contou uma estranha e curiosa história. 

Ele criava no quintal um bode pai de chiqueiro, dez cabras leiteiras e cinco cabritinhos que somavam no total dezesseis bichos, conforme ele tinha contado antes de ir pra feira, naquele sábado. Quando ele voltou, lá pras bandas do meio-dia, contou dezessete, tendo inclusive, outro bode macho, bonito, imponente, o pelo todo preto, lustroso e os olhos amarelos.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Concurso “Fritz Teixeira de Salles” de Poesia

Poema escrito em 1987 foi agraciado no ano de 2015 como Primeiro Colocado no XIII Concurso "Fritz Teixeira de Salles" de Poesia, da Fundação Cultural “Pascoal Andreta”, na cidade de Monte Sião - MG


NAVIOS ABSTRATOS

“O meu amar-te é uma catedral de silêncios eleitos” – Fernando Pessoa

Anda equidistante meu pensamento
D’álgum lugar , longe das coisas, no último silêncio
De alguém que não sei onde está
Que nem me lembro


E a hora surda e opaca pousa em mim duma vez
Mas estou longe daqui e semi-morto
Vejo navios abstratos
Pontos indefesos no porto
E a hora surda e opaca pousa em mim outra vez


Ondula n’alma uma saudade absurda
E aqui distante relembro só e absorto
Vejo navios abstratos
Monumentos inacabados no porto.

Ilustração de Gustave Doré [1798]



O MILAGRE

Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo...