sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O HOMEM QUE DECIDIU NÃO MORRER

​Ilustração de Gustave Doré (1832-1883) para a Divina Comédia de Dante



O coronel Alarcão morreu na fria madrugada do dia vinte e cinco de setembro de mil novecentos e cinquenta e nove, há exatos cinquenta e seis anos. No dia da sua morte, estava confortavelmente sentado em sua poltrona defronte para o janelão de onde se avistava o verde-azul do mar, saboreando a sua costumeira chávena de café. E assim passava os dias, observando o sinuoso e incansável dançar das vagas, que se espatifava no quebra-mar. Descansava a vista fatigada na fímbria do horizonte, donde balouçavam distantes velas brancas de jangadas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O HOMEM SENTADO

Caronte ilustrado por Gustave Doré, para a Divina Comédia.

Defronte para o nada, esquecido em sua própria solidão, de vez em quando “projetando a sua sombra magra, pensava no Destino e tinha medo”. 

Em sua cadeira de rodas, à noite, lia de Augusto dos Anjos, “As cismas do Destino”, com olhos opacos, “fecundando os ovos do vício”, gemendo como geme o arvoredo.

O MILAGRE

Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo...