sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O SONHO



O suicida ia pular, mas do alto do edifício, na fímbria do horizonte, viu o mar. 
(Nemésio Silva Filho)


Sonhava que estava caindo, caindo, caindo, num cair sem fim. Acordava depois, assustado, no chão ao lado da cama, ensopado de suor, tremendo. Ouvia o tique-taque do relógio em cima da cabeceira da cama e conferia que já passava das três da manhã, como das outras vezes do mesmo sonho. Morava só. Não tinha nem com quem comentar o sonho que já o vinha atormentando há vários meses. Não dormia mais, com medo de cair de novo dentro do sonho. Saía para ver a rua, ainda deserta, silenciosa. O vento da madrugada açoitava as árvores, únicas testemunhas silentes do seu terror noturno. Amanhecia completamente exausto, mal humorado, irascível, com uma dor de cabeça do tamanho dos astros.

ATRAVÉS DA JANELA

​ Como fazia todos os sábados, lá pelas onze horas, onze e meia, o velho advogado chegava ao bar e sentava numa mesa - quase cativ...